segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sobre greves, a mídia e Raul Seixas

 Obs: essa postagem foi removida de meu outro Blog, Mil razões para pensar e se refere a janeiro de 2012.
Nós sempre temos alguma posição política em relação à algo. Até aquelas pessoas que se autodenominam “apolíticas”, tem a sua. Na verdade, nesse caso, o fato de a pessoa decidir se intitular sem um lado político, já posiciona ela automaticamente em um campo político.
Quando aviões caem, ou se os aeroportos estão um caos, uns culpam o governo, outros a companhia aérea, outros ainda a fabricante do avião. É uma posição que tem que ser tomada, apesar de que não precisamos ser oniscientes.

Se a gente paga caro em um carro no Brasil, a culpa é do governo, que cobra muitos impostos, mas também pode ser dos empresários, que ao invés de pagar os impostos que o governo cobra deles, repassam para o consumidor, pois não querem diminuir seus bilionários lucros, ou ainda pode ser do consumidor, que compra compulsivamente.

Se vaza questões do ENEM, a culpa é do governo, que é incompetente, outros acham que é da imprensa, que é contra o governo e faz de tudo para criar uma crise e outros ainda acreditam ser dos grandes conglomerados empresariais de educação, que podem ter muito a perder se mais pobres entrarem na faculdade pública.

Enfim, sempre se tem um lado!
Mas existem aquelas situações em que fica difícil a gente se posicionar, tamanha a confusão ideológica envolvida.
Mas e a Bahia? E a paralisação da polícia? E a greve dos policiais e bombeiros no RJ? E a cobertura da imprensa nessa história toda?

Bem, vamos usar a metodologia Jack, ou seja, vamos por partes.

A Bahia é governada pelo PT. O Rio de Janeiro é governado pelo PMDB, que é partido da base de apoio ao governo federal. Há quem diga que os grandes veículos de comunicação são ideologicamente inclinados ao PSDB/DEM e já foram até apelidados de PIG - Partido da imprensa Golpista ( devido as diferentes abordagens, pela "grande imprensa", em relação à denúncias que envolvem o governo federal e aquelas que envolvem os estados governados por partidos de oposição).

O cara que estava comandando a greve na Bahia (Marcos Prisco), é filiado a um partido de oposição ao governo.
Teoricamente, era pra ser assim: greve na Bahia e Rio Janeiro (2 estados governados por partidos que formam a base de apoio do governo, a nível federal), a imprensa mostrando o sofrimento dos policiais que ganham mal pra caramba, bem como as péssimas condições de trabalho a que são submetidos, pois afinal de contas, seria uma boa oportunidade para ela (a imprensa, ligada a oposição, ou seja, teoricamente Globo, Folha, Estadão, etc..) mostrar que o governo trata mal seus policiais. Certo? Seria, mas não é essa a cobertura que estamos vendo na "grande mídia".

A Globo aparentemente editou (adulterou) um trecho de gravação apresentada no JN, onde ouve-se o líder do movimento grevista baiano, um bombeiro carioca, uma deputada do PSOL do Rio, um deputado do PTB paulista e outro do PSDB carioca, além de um advogado/policial da Bahia supostamente incitando a violência. Que balaio de gatos, não?

Será que a "mídia golpista" de oposição fez as pazes com os governos de situação para colocar a população contra a greve?

Veja pitacos das coberturas midiáticas: ao falar da greve dos PMs, Bombeiros e Policiais Civis do RJ, que começou nessa sexta-feira (dia 10), o JH (Jornal Hoje, da Rede Globo) mostra que, apesar da greve, está “tudo sob o mais absoluto controle”, ou ainda “que está um dia tranquilo no RJ, apesar da greve” e que “2000 policiais aderiram a paralisação, de um efetivo total de 60.000” ou seja, adesão minima. Sacou?

Uma colunista do Grupo Folha ataca sem piedade os policiais em greve em sua cobertura assim como o portal G1! O portal Terra, tem até um contador de mortos em todas as reportagens relacionadas a greve na Bahia, associando as mortes como culpa da greve dos policias baianos.
Como observa-se, é muito complexo se posicionar nessa situação. E isso é bem perceptível nos próprios comentários dos internautas nas reportagens sobre o tema nos diversos portais. Veja a confusão:

“Baderneiros, ferrando com a vida dos outros. Vão trabalhar”
“Desde quando, paulistas defendendo baianos? Só podia ser direitista mesmo se aproveitando do caos para detonar o governo do PT”
“Meu deus, acabem logo com essa greve. O carnaval está chegando”
“Agora quem é o “incomPTente”? Vê se em SP tem greve da policia?”

Sobre esse último comentário, ainda existe a possibilidade de mais algumas policias de outros estados também terem suas greves. Um exemplo é a polícia do PR, que tem um dos menores salários do país e que é governado pelo PSDB.

Isso não foi uma análise profunda de um cenário político, como você, caro leitor, pôde perceber. Alias, está longe de ser uma análise. O que fiz aqui foi simplesmente pintar um quadro de como as vezes é difícil se posicionar diante de uma situação tomando por base apenas os conceitos ideológicos que vamos incorporando, ao longo dos anos.

Esse esboço foi bem simplista, bem superficial, pois tem muitas entrelinhas ai a serem exploradas. Mais o objetivo agora é justamente esse: nem sempre é possível se chegar a uma opinião coerente apenas fazendo uma observação simplista. Pois quando se trata de dinheiro, política e poder, os lados se invertem num piscar de olhos e aquelas caixinhas que levamos, cada uma no seu lugar, se desmontam ou se misturam, bagunçando nosso ordenado raciocínio, nosso esquema de opiniões formadas sobre tudo.

Pior ainda: temos a "tendência" de colocar nossas ideias acima de qualquer circunstância nova. Temos dificuldades em aceitar que novas circunstâncias pedem reformulações de posições.

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